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sexta-feira, 8 de julho de 2016
Questões vestibular - Filosofia
1. (Ufsj 2013) Leia atentamente os fragmentos abaixo.
I.“Também tem sido frequentemente ensinado que a fé e a santidade não podem ser atingidas pelo estudo e pela razão, mas sim por inspiração sobrenatural, ou infusão, o que, uma vez aceita, não vejo por que razão alguém deveria justificar a sua fé…”.
II. “O homem não é a consequência duma intenção própria duma vontade, dum fim; com ele não se fazem ensaios para obter-se um ideal de humanidade; um ideal de felicidade ou um ideal de moralidade; é absurdo desviar seu ser para um fim qualquer”.
III. “(…) podemos estabelecer como máxima indubitável que nenhuma ação pode ser virtuosa ou moralmente boa, a menos que haja na natureza humana algum motivo que a produza, distinto do senso de sua moralidade”.
IV. “A má-fé é evidentemente uma mentira, porque dissimula a total liberdade do compromisso. No mesmo plano, direi que há também má-fé, escolho declarar que certos valores existem antes de mim (…).”
Os quatro fragmentos de texto acima são, respectivamente, atribuídos aos seguintes pensadores
a) Nietzsche, Sartre, Hobbes, Hume.
b) Hobbes, Nietzsche, Hume, Sartre.
c) Hume, Nietzsche, Sartre, Hobbes.
d) Sartre, Hume, Hobbes, Nietzsche.
Resposta: B
2. (Ufsj 2013) Na obra “O existencialismo é um humanismo”, Jean-Paul Sartre intenta
a) desenvolver a ideia de que o existencialismo é definido pela livre escolha e valores inventados pelo sujeito a partir dos quais ele exerce a sua natureza humana essencial.
b) mostrar o significado ético do existencialismo.
c) criticar toda a discriminação imposta pelo cristianismo, através do discurso, à condição de ser inexorável, característica natural dos homens.
d) delinear os aspectos da sensação e da imaginação humanas que só se fortalecem a partir do exercício da liberdade.
Resposta: B
3. (Unioeste 2013) “Quando dizemos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de nós se escolhe a si próprio; mas com isso queremos também dizer que, ao escolher-se a si próprio, ele escolhe todos os homens. Com efeito, não há de nossos atos um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser. Escolher isto ou aquilo é afirmar ao mesmo tempo o valor do que escolhemos, porque nunca podemos escolher o mal, o que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem que o seja para todos. Se a existência, por outro lado, precede a essência e se quisermos existir, ao mesmo tempo em que construímos a nossa imagem, esta imagem é válida para todos e para a nossa época. Assim, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela envolve toda a humanidade”.
Sartre.
Considerando o texto citado e o pensamento sartreano, é INCORRETO afirmar que
a) o valor máximo da existência humana é a liberdade, porque o homem é, antes de mais nada, o que tiver projetado ser, estando “condenado a ser livre”.
b) totalmente posto sob o domínio do que ele é, ao homem é atribuída a total responsabilidade pela sua existência e, sendo responsável por si, é também responsável por todos os homens.
c) o existencialismo sartreano é uma moral da ação, pois o homem se define pelos seus atos e atos, por excelência, livres, ou seja, o “homem não é nada além do conjunto de seus atos”.
d) o homem é um “projeto que se vive subjetivamente”, pois há uma natureza humana previamente dada e predefinida, e, portanto, no homem, a essência precede a existência.
e) por não haver valores preestabelecidos, o homem deve inventá-los através de escolhas livres, e, como escolher é afirmar o valor do que é escolhido, que é sempre o bem, é o homem que, através de suas escolhas livres, atribui sentido a sua existência.
Resposta: D
4. (Ufsj 2013) “Não que acreditemos que Deus exista; pensamos antes que o problema não está aí, no da sua existência […] os cristãos podem apelidar-nos de desesperados”.
Essa afirmação revela o pensador
a) Thomas Hobbes, defendendo o seu pensamento objetivo de que “o homem deve ser tomado como um elemento de construção da monarquia”.
b) Nietzsche, perseguindo o direito do homem de tomar posse do seu reino animal e da sua superação e de reconduzir-se às verdades implícitas nele próprio.
c) Jean-Paul Sartre, desenvolvendo um argumento, no qual chega à conclusão de que o existencialismo é um otimismo.
d) David Hume, criticando as clássicas provas a favor da existência de Deus.
Resposta: C
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
Questões sobre Platão
(UEL – 2009) Leia o
texto a seguir e responda à questão 1.
Texto I
– Considera pois –
continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e curados da
sua ignorância, a ver se, regressados à sua natureza, as coisas se passavam
deste modo. Logo que alguém soltasse um deles, e o forçasse a endireitar-se de
repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, a fazer tudo isso,
sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os objetos cujas sombras
via outrora. Que julgas tu que ele diria, se alguém lhe afirmasse que até então
ele só vira coisas vãs, ao passo que agora estava mais perto da realidade e via
de verdade, voltado para objetos mais reais? E se ainda, mostrando-lhe cada um
desses objetos que passavam, o forçassem com perguntas a dizer o que era? Não
te parece que ele se veria em dificuldade e suporia que os objetos vistos
outrora eram mais reais do que os que agora lhe mostravam? (PLATÃO. A
República. 7. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p. 318-319.)
1 O texto é parte do
livro VII da República, obra na qual Platão desenvolve o célebre Mito da
Caverna. Sobre o Mito da Caverna, é correto afirmar.
I.
A
caverna iluminada pelo Sol, cuja luz se projeta dentro dela, corresponde ao
mundo inteligível, o do conhecimento do verdadeiro ser.
II.
Explicita
como Platão concebe e estrutura o conhecimento.
III.
Manifesta
a forma como Platão pensa a política, na medida em que, ao voltar à caverna,
aquele que contemplou o bem quer libertar da contemplação das sombras os
antigos companheiros.
IV.
Apresenta
uma concepção de conhecimento estruturada unicamente em fatores circunstanciais
e relativistas. Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
b) Somente as afirmativas II e III são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e)
Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
2. Para Platão, no
livro IV da República, a justiça, na cidade ideal,
Baseia-se no princípio em virtude do qual cada membro do
organismo social deve cumprir, com a maior perfeição possível, a sua função
própria. Tanto os ‘guardiões’ como os ‘governantes’ e os ‘industriais’ têm a
sua missão estritamente delimitada, e se cada um destes três grupos se esforçar
por fazer da melhor maneira possível o que lhes compete, o Estado resultante da
cooperação destes elementos será o melhor Estado concebível. (JAEGER, W.
Paidéia: a formação do homem grego. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p.
556.)
Com base no texto e
nos conhecimentos sobre o pensamento de Platão, assinale a alternativa correta.
a) A cidade,
de origem divina, encontra sua perfeição quando reina o amor verdadeiro entre
os homens, base da concórdia total das classes sociais.
b) A
justiça, na cidade ideal, consiste na submissão de todas as classes ao
governante que, pela tirania, promove a paz e o bem comum.
c) A cidade
se torna justa quando os indivíduos de classes inferiores, no cumprimento de
suas funções, ascendem socialmente.
d) A
justiça, na cidade ideal, manifesta-se na igualdade de todos perante a lei e na
cooperação de cada um no exercício de sua função.
e) Na cidade
ideal, a justiça se constitui na posse do que pertence a cada um e na execução
do que lhe compete.
3. No Sofista, Platão faz a seguinte
observação sobre a mímesis (imitação):
Assim, o
homem que se julgasse capaz, por uma única arte, de tudo produzir, como
sabemos, não fabricaria, afinal, senão imitações e homônimos das realidades.
Hábil, na sua técnica de pintar, ele poderá, exibindo de longe os seus
desenhos, aos mais ingênuos meninos, dar-lhes a ilusão de que poderá igualmente
criar a verdadeira realidade, e tudo o que quiser fazer. (PLATÃO. Sofista.
Coleção “Os pensadores”. São Paulo: Abril Cultural, 1972. p. 159-160.)
Já Aristóteles, na Retórica, salienta o
seguinte aspecto da mímesis:
E, como
aprender e admirar é agradável, necessário é também que o sejam as coisas que
possuem estas qualidades; por exemplo, as imitações, como as da pintura, da
escultura, da poesia, e em geral todas as boas imitações, mesmo que o original
não seja em si mesmo agradável; pois não é o objecto retratado que causa
prazer, mas o raciocínio de que ambos são idênticos, de sorte que o resultado é
que aprendemos alguma coisa. (ARISTÓTELES. Retórica. Lisboa: Imprensa
Nacional-Casa da Moeda, 2006. p. 138.)
Com base nos textos e nos conhecimentos
sobre o tema da mímesis em Platão e em Aristóteles, assinale a alternativa
correta.
a) A
pintura, para Platão, se afasta do verdadeiro, por apresentar o mundo
inteligível, mas, para Aristóteles, o problema é que ela causa prazer.
b) Platão
considera que o pintor pode esclarecer as pessoas ingênuas, fazendo-as
acreditar que sua pintura é o real, mas Aristóteles considera que o engano está
no pintor e não na pintura.
c) Para
Platão, a mímesis representa a cópia da cópia e o artista não conhece a
realidade do imitado em seu grau mais elevado; já para Aristóteles, uma das
causas do surgimento da mímesis é o fato de os homens se comprazerem no
imitado.
d) Para
Platão, aprendemos com as imitações, uma vez que elas nos distanciam do engano,
enquanto que, para Aristóteles, por causar prazer, a imitação deve ser banida.
e) De acordo
com Platão, ao imitar, o pintor apresenta a realidade ideal, o que causa
admiração; para Aristóteles, a imitação também desvela o mundo ideal, no
entanto, por ser ingênua, não permite que os homens contemplem a verdade.
4. (UEL – 20015) Leia os textos a seguir.
A arte de
imitar está bem longe da verdade, e se executa tudo, ao que parece, é pelo
facto de atingir apenas uma pequena porção de cada coisa, que não passa de uma
aparição. (Adaptado de: PLATÃO. A República. 7.ed. Trad. de Maria Helena da
Rocha Pereira. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p.457.)
O imitar é
congênito no homem e os homens se comprazem no imitado. (Adaptado de:
ARISTÓTELES. Poética. 4.ed. Trad. de Eudoro de Souza. São Paulo: Nova Cultural,
1991. p.203. (Coleção Os Pensadores.))
Com base nos textos, nos conhecimentos
sobre estética e a questão da mímesis em Platão e Aristóteles, assinale a
alternativa correta.
a) Para
Platão, a obra do artista é cópia de coisas fenomênicas, um exemplo particular
e, por isso, algo inadequado e inferior, tanto em relação aos objetos
representados quanto às ideias universais que os pressupõem.
b) Para
Platão, as obras produzidas pelos poetas, pintores e escultores representam
perfeitamente a verdade e a essência do plano inteligível, sendo a atividade do
artista um fazer nobre, imprescindível para o engrandecimento da pólis e da
filosofia.
c) Na
compreensão de Aristóteles, a arte se restringe à reprodução de objetos
existentes, o que veda o poder do artista de invenção do real e impossibilita a
função caricatural que a arte poderia assumir ao apresentar os modelos de
maneira distorcida.
d)
Aristóteles concebe a mímesis artística como uma atividade que reproduz
passivamente a aparência das coisas, o que impede ao artista a possibilidade de
recriação das coisas segundo uma nova dimensão.
e)
Aristóteles se opõe à concepção de que a arte é imitação e entende que a
música, o teatro e a poesia são incapazes de provocar um efeito benéfico e
purificador no espectador.
5. Leia os textos a seguir.
Sim bem
primeiro nasceu Caos, depois também Terra de amplo seio, de todos sede
irresvalável sempre. (HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. 3.ed. Trad. de
Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1995. p.91.)
Segundo a
mitologia ioruba, no início dos tempos havia dois mundos: Orum, espaço sagrado
dos orixás, e Aiyê, que seria dos homens, feito apenas de caos e água. Por
ordem de Olorum, o deus supremo, o orixá Oduduá veio à Terra trazendo uma
cabaça com ingredientes especiais, entre eles a terra escura que jogaria sobre
o oceano para garantir morada e sustento aos homens. (A Criação do Mundo.
SuperInteressante. jul. 2008. Disponível em: . Acesso em: 1 abr. 2014.)
No começo do
tempo, tudo era caos, e este caos tinha a forma de um ovo de galinha. Dentro do
ovo estavam Yin e Yang, as duas forças opostas que compõem o universo. Yin e
Yang são escuridão e luz, feminino e masculino, frio e calor, seco e molhado.
(PHILIP, N. O Livro Ilustrado dos Mitos: contos e lendas do mundo. Ilustrado
por Nilesh Mistry. Trad. de Felipe Lindoso. São Paulo: Marco Zero, 1996. p.22.)
Com base nos textos e nos conhecimentos
sobre a passagem do mito para o logos na filosofia, considere as afirmativas a seguir.
I.
As diversas narrativas míticas da origem do
mundo, dos seres e das coisas são genealogias que concebem o nascimento
ordenado dos seres; são discursos que buscam o princípio que causa e ordena
tudo que existe.
II.
Os mitos representam um relato de algo fabuloso
que afirmam ter ocorrido em um passado remoto e impreciso, em geral grandes
feitos apresentados como fundamento e começo da história de dada comunidade.
III.
Para Platão, a narrativa mitológica foi
considerada, em certa medida, um modo de expressar determinadas verdades que
fogem ao raciocínio, sendo, com frequência, algo mais do que uma opinião
provável ao exprimir o vir-a-ser.
IV.
Quando tomado como um relato alegórico, o mito é
reduzido a um conto fictício desprovido de qualquer correspondência com algum
tipo de acontecimento, em que inexiste relação entre o real e o narrado.
Assinale a alternativa correta.
a)
Somente as afirmativas I e II são corretas.
b)
Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c)
Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d)
Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e)
Somente as afirmativas II, III e IV são corretas
Gabarito
1: b
2: e
3: c
4: a
5. Alternativa correta: d) Conteúdo programático: A passagem do mito
para o logos no surgimento da filosofia.
Justificativa
I.
Correta, pois os mitos sobre a origem do mundo
são genealogias porque pretendem narrar o nascimento e a organização do mundo.
II.
Correta, pois o mito é uma narrativa sobre a
origem de algo, seja a Terra, os astros, os homens, as plantas ou mesmo
qualidades ou vícios humanos. Os gregos o entendiam como um discurso proferido
por um narrador para ouvintes que confiavam que aquilo que estava sendo
narrado, por meio de lutas, alianças, forças sobrenaturais etc., era
verdadeiro.
III.
Correta, pois os mitos são fundamentais para
Platão. Seus textos são impregnados de explicações míticas, como pode ser
observado no Mito do Anel de Giges, no Mito da Caverna e no Mito de Er, os dois
últimos expressos no texto A República. Assim, Platão admite a narrativa
mitológica como invólucro da verdade filosófica.
IV.
Incorreta, pois o mito, quando tomado
alegoricamente, torna-se um relato que possui dois aspectos, ambos igualmente
necessários: o real e o fictício. O aspecto fictício consiste na não ocorrência,
de fato, daquilo que o mito narra; o aspecto real consiste em que, de alguma
maneira, aquilo que o mito diz corresponde à realidade. Deste modo, o mito não
pode ser reduzido a um conto fictício desprovido de correspondência com algo
ocorrido no mundo, isto é, desconectado do real.
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