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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Filosofia antiga e medieval - ANPOF

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Questões sobre Platão


(UEL – 2009) Leia o texto a seguir e responda à questão 1.
Texto I
 – Considera pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e curados da sua ignorância, a ver se, regressados à sua natureza, as coisas se passavam deste modo. Logo que alguém soltasse um deles, e o forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, a fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os objetos cujas sombras via outrora. Que julgas tu que ele diria, se alguém lhe afirmasse que até então ele só vira coisas vãs, ao passo que agora estava mais perto da realidade e via de verdade, voltado para objetos mais reais? E se ainda, mostrando-lhe cada um desses objetos que passavam, o forçassem com perguntas a dizer o que era? Não te parece que ele se veria em dificuldade e suporia que os objetos vistos outrora eram mais reais do que os que agora lhe mostravam? (PLATÃO. A República. 7. ed. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p. 318-319.)
1 O texto é parte do livro VII da República, obra na qual Platão desenvolve o célebre Mito da Caverna. Sobre o Mito da Caverna, é correto afirmar.
I.                    A caverna iluminada pelo Sol, cuja luz se projeta dentro dela, corresponde ao mundo inteligível, o do conhecimento do verdadeiro ser.
II.                  Explicita como Platão concebe e estrutura o conhecimento.
III.                Manifesta a forma como Platão pensa a política, na medida em que, ao voltar à caverna, aquele que contemplou o bem quer libertar da contemplação das sombras os antigos companheiros.
IV.                Apresenta uma concepção de conhecimento estruturada unicamente em fatores circunstanciais e relativistas. Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
b) Somente as afirmativas II e III são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.
2. Para Platão, no livro IV da República, a justiça, na cidade ideal,
Baseia-se no princípio em virtude do qual cada membro do organismo social deve cumprir, com a maior perfeição possível, a sua função própria. Tanto os ‘guardiões’ como os ‘governantes’ e os ‘industriais’ têm a sua missão estritamente delimitada, e se cada um destes três grupos se esforçar por fazer da melhor maneira possível o que lhes compete, o Estado resultante da cooperação destes elementos será o melhor Estado concebível. (JAEGER, W. Paidéia: a formação do homem grego. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999. p. 556.)
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Platão, assinale a alternativa correta.
a) A cidade, de origem divina, encontra sua perfeição quando reina o amor verdadeiro entre os homens, base da concórdia total das classes sociais.
b) A justiça, na cidade ideal, consiste na submissão de todas as classes ao governante que, pela tirania, promove a paz e o bem comum.
c) A cidade se torna justa quando os indivíduos de classes inferiores, no cumprimento de suas funções, ascendem socialmente.
d) A justiça, na cidade ideal, manifesta-se na igualdade de todos perante a lei e na cooperação de cada um no exercício de sua função.
e) Na cidade ideal, a justiça se constitui na posse do que pertence a cada um e na execução do que lhe compete.

3. No Sofista, Platão faz a seguinte observação sobre a mímesis (imitação):
Assim, o homem que se julgasse capaz, por uma única arte, de tudo produzir, como sabemos, não fabricaria, afinal, senão imitações e homônimos das realidades. Hábil, na sua técnica de pintar, ele poderá, exibindo de longe os seus desenhos, aos mais ingênuos meninos, dar-lhes a ilusão de que poderá igualmente criar a verdadeira realidade, e tudo o que quiser fazer. (PLATÃO. Sofista. Coleção “Os pensadores”. São Paulo: Abril Cultural, 1972. p. 159-160.)
Já Aristóteles, na Retórica, salienta o seguinte aspecto da mímesis:
E, como aprender e admirar é agradável, necessário é também que o sejam as coisas que possuem estas qualidades; por exemplo, as imitações, como as da pintura, da escultura, da poesia, e em geral todas as boas imitações, mesmo que o original não seja em si mesmo agradável; pois não é o objecto retratado que causa prazer, mas o raciocínio de que ambos são idênticos, de sorte que o resultado é que aprendemos alguma coisa. (ARISTÓTELES. Retórica. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2006. p. 138.)
Com base nos textos e nos conhecimentos sobre o tema da mímesis em Platão e em Aristóteles, assinale a alternativa correta.
a) A pintura, para Platão, se afasta do verdadeiro, por apresentar o mundo inteligível, mas, para Aristóteles, o problema é que ela causa prazer.
b) Platão considera que o pintor pode esclarecer as pessoas ingênuas, fazendo-as acreditar que sua pintura é o real, mas Aristóteles considera que o engano está no pintor e não na pintura.
c) Para Platão, a mímesis representa a cópia da cópia e o artista não conhece a realidade do imitado em seu grau mais elevado; já para Aristóteles, uma das causas do surgimento da mímesis é o fato de os homens se comprazerem no imitado.
d) Para Platão, aprendemos com as imitações, uma vez que elas nos distanciam do engano, enquanto que, para Aristóteles, por causar prazer, a imitação deve ser banida.
e) De acordo com Platão, ao imitar, o pintor apresenta a realidade ideal, o que causa admiração; para Aristóteles, a imitação também desvela o mundo ideal, no entanto, por ser ingênua, não permite que os homens contemplem a verdade.

4. (UEL – 20015) Leia os textos a seguir.
A arte de imitar está bem longe da verdade, e se executa tudo, ao que parece, é pelo facto de atingir apenas uma pequena porção de cada coisa, que não passa de uma aparição. (Adaptado de: PLATÃO. A República. 7.ed. Trad. de Maria Helena da Rocha Pereira. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1993. p.457.)
O imitar é congênito no homem e os homens se comprazem no imitado. (Adaptado de: ARISTÓTELES. Poética. 4.ed. Trad. de Eudoro de Souza. São Paulo: Nova Cultural, 1991. p.203. (Coleção Os Pensadores.))
Com base nos textos, nos conhecimentos sobre estética e a questão da mímesis em Platão e Aristóteles, assinale a alternativa correta.
a) Para Platão, a obra do artista é cópia de coisas fenomênicas, um exemplo particular e, por isso, algo inadequado e inferior, tanto em relação aos objetos representados quanto às ideias universais que os pressupõem.
b) Para Platão, as obras produzidas pelos poetas, pintores e escultores representam perfeitamente a verdade e a essência do plano inteligível, sendo a atividade do artista um fazer nobre, imprescindível para o engrandecimento da pólis e da filosofia.
c) Na compreensão de Aristóteles, a arte se restringe à reprodução de objetos existentes, o que veda o poder do artista de invenção do real e impossibilita a função caricatural que a arte poderia assumir ao apresentar os modelos de maneira distorcida.
d) Aristóteles concebe a mímesis artística como uma atividade que reproduz passivamente a aparência das coisas, o que impede ao artista a possibilidade de recriação das coisas segundo uma nova dimensão.
e) Aristóteles se opõe à concepção de que a arte é imitação e entende que a música, o teatro e a poesia são incapazes de provocar um efeito benéfico e purificador no espectador.

5. Leia os textos a seguir.
Sim bem primeiro nasceu Caos, depois também Terra de amplo seio, de todos sede irresvalável sempre. (HESÍODO. Teogonia: a origem dos deuses. 3.ed. Trad. de Jaa Torrano. São Paulo: Iluminuras, 1995. p.91.)

Segundo a mitologia ioruba, no início dos tempos havia dois mundos: Orum, espaço sagrado dos orixás, e Aiyê, que seria dos homens, feito apenas de caos e água. Por ordem de Olorum, o deus supremo, o orixá Oduduá veio à Terra trazendo uma cabaça com ingredientes especiais, entre eles a terra escura que jogaria sobre o oceano para garantir morada e sustento aos homens. (A Criação do Mundo. SuperInteressante. jul. 2008. Disponível em: . Acesso em: 1 abr. 2014.)

No começo do tempo, tudo era caos, e este caos tinha a forma de um ovo de galinha. Dentro do ovo estavam Yin e Yang, as duas forças opostas que compõem o universo. Yin e Yang são escuridão e luz, feminino e masculino, frio e calor, seco e molhado. (PHILIP, N. O Livro Ilustrado dos Mitos: contos e lendas do mundo. Ilustrado por Nilesh Mistry. Trad. de Felipe Lindoso. São Paulo: Marco Zero, 1996. p.22.)
Com base nos textos e nos conhecimentos sobre a passagem do mito para o logos na filosofia, considere as afirmativas a seguir.
I.                    As diversas narrativas míticas da origem do mundo, dos seres e das coisas são genealogias que concebem o nascimento ordenado dos seres; são discursos que buscam o princípio que causa e ordena tudo que existe.
II.                  Os mitos representam um relato de algo fabuloso que afirmam ter ocorrido em um passado remoto e impreciso, em geral grandes feitos apresentados como fundamento e começo da história de dada comunidade.
III.                Para Platão, a narrativa mitológica foi considerada, em certa medida, um modo de expressar determinadas verdades que fogem ao raciocínio, sendo, com frequência, algo mais do que uma opinião provável ao exprimir o vir-a-ser.
IV.                Quando tomado como um relato alegórico, o mito é reduzido a um conto fictício desprovido de qualquer correspondência com algum tipo de acontecimento, em que inexiste relação entre o real e o narrado. Assinale a alternativa correta.
a) Somente as afirmativas I e II são corretas.
b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas
Gabarito
1: b
2: e
3: c
4: a
5. Alternativa correta: d) Conteúdo programático: A passagem do mito para o logos no surgimento da filosofia.
Justificativa
I.                    Correta, pois os mitos sobre a origem do mundo são genealogias porque pretendem narrar o nascimento e a organização do mundo.
II.                  Correta, pois o mito é uma narrativa sobre a origem de algo, seja a Terra, os astros, os homens, as plantas ou mesmo qualidades ou vícios humanos. Os gregos o entendiam como um discurso proferido por um narrador para ouvintes que confiavam que aquilo que estava sendo narrado, por meio de lutas, alianças, forças sobrenaturais etc., era verdadeiro.
III.                Correta, pois os mitos são fundamentais para Platão. Seus textos são impregnados de explicações míticas, como pode ser observado no Mito do Anel de Giges, no Mito da Caverna e no Mito de Er, os dois últimos expressos no texto A República. Assim, Platão admite a narrativa mitológica como invólucro da verdade filosófica.

IV.                Incorreta, pois o mito, quando tomado alegoricamente, torna-se um relato que possui dois aspectos, ambos igualmente necessários: o real e o fictício. O aspecto fictício consiste na não ocorrência, de fato, daquilo que o mito narra; o aspecto real consiste em que, de alguma maneira, aquilo que o mito diz corresponde à realidade. Deste modo, o mito não pode ser reduzido a um conto fictício desprovido de correspondência com algo ocorrido no mundo, isto é, desconectado do real.

domingo, 13 de setembro de 2015

Questões de vestibular sobre Aristóteles.

1. (UEL) Leia o texto a seguir. O pensamento moderno caracteriza-se pelo crescente abandono da ciência aristotélica. Um dos pensadores modernos desconfortáveis com a lógica dedutiva de Aristóteles – considerando que esta não permitia explicar o progresso do conhecimento científico – foi Francis Bacon. No livro Novum Organum, Bacon formulou o método indutivo como alternativa ao método lógico-dedutivo aristotélico. 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Bacon, é correto afirmar que o método indutivo consiste
 
A) na derivação de consequências lógicas com base no corpo de conhecimento de um dado período histórico. 
B) no estabelecimento de leis universais e necessárias com base nas formas válidas do silogismo tal como preservado pelos medievais. 
C) na postulação de leis universais com base em casos observados na experiência, os quais apresentam regularidade. 
D) na inferência de leis naturais baseadas no testemunho de autoridades científicas aceitas universalmente. 
E) na observação de casos particulares revelados pela experiência, os quais impedem a necessidade e a universalidade no estabelecimento das leis naturais.

2. PUC/Paraná – 2008
Em relação à definição de Bem apresentada por Aristóteles, no Livro I da Ética a Nicômaco, considere as seguintes alternativas:
I. O Bem é algo que está em todas as coisas, sendo identificada nos objetos, mas não entre os
homens.
II. O Bem é aquilo a que todas as coisas tendem, ou seja, o bem é definido em função de um fim.
III. O Bem é o meio para termos uma ciência eficiente e útil, tal como a arte médica será
eficiente se tivermos o bem como meio de sua prática.
IV. O Bem é algo abstrato, de difícil acesso à compreensão humana.
De acordo com tais afirmações, podemos dizer que:

A) Apenas a alternativa II está correta.
B) As alternativas II e III estão corretas.
C) Todas as alternativas estão corretas.
D) As alternativas III e IV estão corretas.
E) Apenas a alternativa III está correta.

3. PUC - Paraná (2008)
Para Aristóteles, em Ética a Nicômaco, “felicidade [...] é uma atividade virtuosa da alma, de certa espécie”. Assinale a alternativa que NÃO condiz com a referida definição aristotélica de felicidade:


A) Felicidade só é possível mediante uma capacidade racional, própria do homem.
B) Ter felicidade é obter coisas nobres e boas da vida que só são alcançadas pelos que agem retamente.
C) Felicidade é uma fantasia que o homem cria para si.
D) Nenhum outro animal atinge a felicidade a não ser o homem, pois os demais não podem participar de tal atividade.
E) A finalidade das ações humanas, o Bem do homem, é a felicidade.

4. (UFU 2007) Leia atentamente o trecho de Aristóteles, citado abaixo, e assinale a alternativa que o interpreta corretamenente.
“Como já vimos há duas espécies de excelência: a intelectual e a moral. Em grande parte a excelência intelectual deve tanto o seu nascimento quanto o seu crescimento à instrução (por isto ela requer experiência e tempo); quanto à excelência moral, ela é o produto do hábito [...]”.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. ColeçãoOs Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1996.
A) A excelência moral é superior à intelectual porque é resultado do nascimento.
B) A excelência intelectual é positiva e a moral negativa.
C) As excelências intelectual e moral anulam-se respectivamente.
D) As excelências moral e intelectual possuem, respectivamente, origem no hábito e na instrução.

5. (UEL – 2011) Leia o texto a seguir. Homero, sendo digno de louvor por muitos motivos, é-o em especial porque é o único poeta que não ignora o que lhe compete fazer. De fato, o poeta, em si, deve dizer o menos possível, pois não é através disso que faz a imitação. Os outros intervêm, eles mesmos, durante todo o poema e imitam pouco e raramente. Ele, pelo contrário, depois de fazer um breve preâmbulo, põe imediatamente em cena um homem, uma mulher ou qualquer outra personagem e nenhum sem caráter, mas cada uma dotada de caráter próprio. 
(ARISTÓTELES. Poética. Trad. A. M. Valente. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 2004. p. 94-95.)
 Com base no texto e nos conhecimentos sobre a mímesis em Aristóteles, assinale a alternativa correta. 
a) As personagens devem aparecer agindo menos e o poeta falando mais, como faz Homero. 
b) Ao intervir muito no poema, sem colocar personagens, o poeta imita com qualidade superior. 
c) Ao dizer o menos possível, Homero coloca as personagens em ação e assim ele é mais imitador. 
d) Homero é elogiado por iniciar seus poemas com breves preâmbulos e pouco se referir a personagens em ação. 
e) O poeta deve fazer uma breve introdução e iniciar a ação narrando sem necessidade de personagens.

6. (UEL – 2011) Leia o texto a seguir. A virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha e consiste numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática.
 (Aristóteles. Ética a Nicômaco. Trad. de Leonel Vallandro e Gerd Bornheim. São Paulo: Abril Cultural, 1973. Livro II, p. 273.) 
Com base no texto e nos conhecimentos sobre a situada ética em Aristóteles, pode-se dizer que a virtude ética 
a) reside no meio termo, que consiste numa escolha situada entre o excesso e a falta. 
b) implica na escolha do que é conveniente no excesso e do que é prazeroso na falta. 
c) consiste na eleição de um dos extremos como o mais adequado, isto é, ou o excesso ou a falta. 
d) pauta-se na escolha do que é mais satisfatório em razão de preferências pragmáticas. 
e) baseia-se no que é mais prazeroso em sintonia com o fato de que a natureza é que nos torna mais perfeitos.

 7. (UEL – 2011) Leia os textos a seguir.
 Aristóteles, no Livro IV da Metafísica, defende o sentido epistêmico do princípio de não contradição como o princípio primário, incondicionado e absolutamente verdadeiro da “ciência das causas primeiras”, ou melhor, o princípio que se apresenta como fundamento último (ou primeiro) de justificação para qualquer enunciado declarativo em sua pretensão de verdade. “É impossível que o mesmo atributo pertença e não pertença ao mesmo tempo ao mesmo sujeito, e na mesma relação. [...] Não é possível, com efeito, conceber alguma vez que a mesma coisa seja e não seja, como alguns acreditam que Heráclito disse [...]. É por esta razão que toda demonstração se remete a esse princípio como a uma última verdade, pois ela é, por natureza, um ponto de partida, a mesma para os demais axiomas.” 
(ARISTÓTELES. Metafísica. Livro IV, 3, 1005b apud FARIA, Maria do Carmo B. de. Aristóteles: a plenitude como horizonte do ser. São Paulo: Moderna, 1994. p. 93.) 
Com base nos textos e nos conhecimentos sobre Aristóteles, é correto afirmar:
a) Aqueles que sustentam, com Heráclito, conceber verdadeiramente que propriedades contrárias podem subsistir e não subsistir no mesmo sujeito opõem-se ao princípio de não contradição.
b) Pelo princípio de não contradição, sustenta-se a tese heracliteana de que, numa enunciação verdadeira, se possa simultaneamente afirmar e negar um mesmo predicado de um mesmo sujeito, em um mesmo sentido. 
c) Nas demonstrações sobre as realidades suprassensíveis, é possível conceber que propriedades contrárias subsistam simultaneamente no mesmo sujeito, sem que isso incorra em contradição lógica, ontológica e epistêmica. 
d) Para que se possa fundamentar o estatuto axiomático do princípio de não contradição, exige-se que sua evidência, enquanto princípio primário, seja submetida à demonstração. 
e) Com o princípio de não contradição, torna-se possível conceber que, se existem duas coisas não idênticas, qualquer predicado que se aplicar a uma delas também poderá ser aplicado necessariamente à outra.